O curta-metragem de animação Matilda, escrito e dirigido por Laly Cataguases, iniciou sua trajetória nacional e internacional em 2026 com seleções em importantes festivais e mostras dedicados ao cinema independente e à formação de público. Realizado em coprodução com a Pólen Estúdio, o filme aposta em uma narrativa sensível e universal para abordar um tema ainda pouco explorado no audiovisual infantil: o luto vivido por uma criança após a perda de um ente querido.
Sem utilizar diálogos, Matilda constrói sua narrativa por meio da animação, da expressão corporal das personagens, da direção de arte e da trilha sonora, criando uma experiência acessível a públicos de diferentes idiomas e culturas. A ausência de falas amplia o alcance emocional da obra e reforça a potência visual do curta, permitindo que sentimentos como ausência, saudade e acolhimento sejam compreendidos de maneira intuitiva e profundamente humana.
O filme acompanha a conexão entre duas protagonistas femininas: uma menina e uma formiga. Além do protagonismo feminino, a obra traz também uma importante representação de pessoas com deficiência. Ambas as personagens possuem o mesmo tipo de limitação de mobilidade, estabelecendo uma identificação afetiva que atravessa a narrativa. A abordagem acontece de forma delicada e natural, integrando a deficiência à construção das personagens sem reduzi-las a essa condição.
A estreia internacional de Matilda acontece por meio da seleção para a programação da ACC – Asociación de Cineclubes de Chile, ao longo de 2026, levando o curta ao público chileno em circuitos de difusão cultural e formação de plateia. Já no Brasil, o filme foi selecionado para importantes eventos dedicados ao curta-metragem e ao cinema autoral, incluindo a 4ª Mostra Cine Arandu, em Pirenópolis (GO), o Cinecultural 2026, em Pernambuco, e o 3º CURTA QUI, em Goiás.
As primeiras seleções demonstram a força do filme junto a curadorias interessadas em obras voltadas à infância, diversidade e impacto social. Em um cenário onde ainda são raros os conteúdos infantis que tratam da perda e do processo de elaboração emocional do luto, Matilda surge como uma obra sensível, inclusiva e necessária, capaz de dialogar tanto com crianças quanto com adultos.
Mais do que um filme sobre perda, Matilda propõe um olhar afetuoso sobre empatia, amizade e acolhimento, contribuindo para ampliar as possibilidades temáticas da animação infantil brasileira.


